da Redação

Partir para o interior brasileiro atrás de uma plateia jovem que se transformaria na maior consumidora de MPB.  Foi o que fizeram Elis Regina, Toquinho e Vinícius de Moraes, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha e Chico Buarque em apresentações nos Circuitos Universitários. Um momento marcante da música nos anos 1970.

NA ESTRADA

A turnê do Circuito Universitário rodou por faculdades em todo o Estado de São Paulo, cidades de Minas Gerais e regiões do sul brasileiro, lotando shows e vendendo centenas de milhares de ingressos. Numa destas ocasiões, Chico Buarque se apresentou em Taubaté.

A cantora Elis Regina (1945-1982), afirmava que antes do Circuito Universitário, a televisão era a grande vitrine dos músicos famosos “por falta de mercado e alternativa”. Com o surgimento do Circuito, esses mesmos artistas passaram a se apresentar para “mais de 100 mil pessoas”.

O INVENTOR

O Circuito Universitário foi uma inovação na cultura brasileira que nasceu da cabeça de um jovem, que na época tinha pouco mais de 20 anos, chamado Roberto Oliveira.

“O Circuito Universitário [foi] o fato mais importante da música popular brasileira na década de 70. Você tem a chance de se apresentar nos lugares mais distantes, para um público jovem, sempre caloroso, atento, interessado, informado”, Elis Regina,Veja, em 28/1/1976

Fachada do Teatro Bandeirantes

[O Circuito Universitário], embora estafante, [compensou]. Porque pude mostrar o trabalho de João Bosco, Milton Nascimento, falar com as pessoas mais de perto e tomar contato com a realidade do país. Pois as metrópoles não são o Brasil. O Brasil é Piracicaba, Uberaba, Uberlândia, o interior. São Paulo é um acidente, saca? Mas é um lugar maravilhoso, de onde não mais sair nunca mais”. Elis Regina,Veja, em 28/1/1976

TEATRO BANDEIRANTES

Roberto de Oliveira fundou a Clack Produtora Independente, uma pioneira. Só no Teatro Bandeirantes (que atualmente é um templo da Igreja Universal do Reino de Deus), e do qual Oliveira foi diretor, a Clack produziu alguns dos espetáculos musicais de maior sucesso nos anos 1970 e também abriu espaço para nomes que viviam “na periferia do sucesso”, como Belchior, Fagner, Amelinha, Ednardo e Raul Seixas, entre outros.

Assista ao show inaugural do Teatro Bandeirantes, produzido pela Clack Produtora

ESSENCIAL

Na época, as estrelas da MPB rejeitavam a TV e só aceitavam fazer os programas da Clack, cuja maioria era dirigida por Roberto Oliveira, no Teatro Bandeirantes.

“Todos atualmente detestam fazer televisão – e só aceitam em condições extraordinárias, como os especiais da TV Bandeirantes de São Paulo”. Elis Regina, Veja, 01/5/1974

Assista a um vídeo dirigido por Roberto Oliveira:

 

NAS TELAS

Um exemplo do trabalho da Clack é a premiada “Série Documento”, considerada por críticos da época “um dos mais importantes programas da história da TV brasileira”. A série teve edições com Lô Borges, Milton Nascimento, Maysa, Fernando Brant e veteranos, como: Nora Ney, Cartola, Paulo Vanzolini, Lupicínio Rodrigues, Moreira da Silva, João de Barro, Sergio Ricardo e Clementina de Jesus. O programa está sendo resgatado pelo Canal Arte 1, do Grupo Bandeirantes.

Roberto Oliveira, Milton Nascimento, Tom Jobim e Chico Buarque.

RWR

Outra boa amostra da história da MPB está no espaço de Oliveira no Youtube: Canal RWR. Além do maior conteúdo em vídeo sobre Chico Buarque, você pode assistir mais de 800 preciosidades de artistas, como: Elis Regina, Maria Bethânia, Rita Lee, Tom Jobim, Mutantes, Milton Nascimento, Gil e Caetano.

 

UMA NOVA ELIS

Roberto Oliveira foi empresário de Elis Regina e idealizador do álbum Elis & Tom, uma obra-prima da discografia nacional. Este foi o disco que redefiniu a carreira da cantora.

“Roberto Oliveira, então, sugeriu-me que pensasse num disco com o Tom. Achei a ideia incrível. Em primeiro lugar, porque Tom é capaz de resumir, em sua obra, praticamente toda a história da música brasileira dos últimos tempos. E eu poderia me apoiar nessa obra para contar meus dez anos de carreira”, afirmou Elis  em entrevista a revista Veja.

Tom Jobim também reconheceu o papel de Roberto nesta empreitada:

“A ideia foi de Roberto Oliveira que, um dia, telefonou para minha casa, em Los Angeles avisando que Elis, Aluísio de Oliveira e o Quinteto de César Camargo estavam vindo para os Estados Unidos para gravarem um disco com músicas minhas.” Tom Jobim sobre a produção do clássico “Elis & Tom”, em entrevista à Folha de S. Paulo em 3/10/1974

Assista a um trecho de Tom & Elis:

 

CHICO TOTAL

Você conhece aquela série de DVDs com a mais completa antologia da carreira de Chico Buarque? Adivinhe quem é o diretor?

Imagem de Roberto Oliveira dirigindo Chico Buarque para a antologia do cantor em DVD

Olha só um making off da produção:

DILMA PRESA

A famosa foto da ex-presidente Dilma Roussef num tribunal militar pertence a um acervo de 166 mil fotos do jornal Última Hora que iria para o lixo. Hoje, esse material pertence ao Arquivo do Estado de São Paulo graças à ação de Roberto Oliveira e a filha de Samuel Wainer (1910-1980), fundador do Última Hora.

 

OPERAÇÃO CLANDESTINA

Quando foi noticiado que o acervo seria vendido como papel velho, Roberto Oliveira e Pinky Wainer, sua então esposa, recolheram clandestinamente o acervo, selecionaram o material relevante e devolveram o resto antes que alguém percebesse.

A memória brasileira agradece.

 

PROGRAMADOR

Conhece o programa Roda Viva, da TV Cultura? Surgiu em 29 de setembro de 1986, quando Roberto Oliveira era coordenador de programação daquela emissora. O Canal Futura, entre outros, foi idealizado e inaugurado quando Oliveira era consultor da Globosat. O Band Sports,o Band News,o Band Kids e uma penca de programas da TV aberta também surgiram sob sua batuta, quando foi vice-presidente da Band.

Assista ao programa comemorativo de 20 anos da primeira edição do Roda Viva:

 

GUARDIÃO

Roberto Oliveira guarda materiais inéditos dos bastidores da gravação do álbum Elis & Tom, feito em Los Angeles, em 1974, além dos shows de lançamento no Rio de Janeiro e em São Paulo. Duas apresentações nunca divulgadas de Dorival Caymmi e o último registro feito com Tom Jobim em um palco, pouco antes da morte do maestro, em 1994. Fina papa!

 

E TAUBATÉ?

Outras informações relevantes sobre Roberto de Oliveira: ele é discretíssimo, nasceu em Ubatuba e cresceu em Taubaté. Seu irmão mais velho é o caipira pirapora Renato Teixeira.

Os irmãos Roberto Oliveira e Renato Teixeira em visita ao MISTAU em 2015

NOITE DE MUSEU

Roberto Oliveira dirigiu o show Uma noite no Museu, realizado em dezembro de 2015, nas dependências do Museu de História Natural de Taubaté. Foi o primeiro show que reuniu Renato Teixeira e uma trupe de músicos de Taubaté, denominado Coletivo Música Taubateana, para celebrar o aniversário da cidade e apoiar os trabalhos daquele museu, uma das instituições brasileiras mais respeitadas no meio científico internacional.

Assista a reportagem da TV Vanguarda sobre esse evento:

Outro show dirigido por Roberto, em Taubaté, e que reuniu novamente o Coletivo Música Taubateana, aconteceu na inauguração da Alameda Cultural do Taubaté Shopping. Na ocasião, o lendário Tony Campello também participou da cantoria.

Ortiz Jr, Prefeito de Taubaté, Mauro Fontes, Gerente de Marketing do Taubaté Shopping, maestro Yves Rudnes Schimidt e Renato Teixeira inaugurando a Alameda Cultural

Tony Campello no show que inaugurou a Alameda Cultural

Agora é esperar pelos próximos passos deste caiçara de Ubatuba, criado em Taubaté, que deixou sua marca na cultura brasileira.

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