Metralha, um boxeador que morava em Taubaté, recebeu, aos 17 anos, a faixa de Campeão Paulista dos Meio-Médios, levando a nocaute 24 adversários. Essa história, ou lenda, era contada pelo próprio Metralha, apelido de Nelson Gonçalves (1919-1998), um dos maiores cantores brasileiros.

TONINHO

Seu nome artístico foi Antônio Gonçalves até Sônia Carvalho cruzar seu caminho. Sônia havia feito parte do primeiro casting da Rádio Nacional. Tornou-se tutora do ex-boxeador, mudou o “Antônio” para “Nelson” e enviou-lhe com uma carta de recomendação para um teste na Rádio São Paulo. Não deu outra, Nelson Gonçalves foi contratado. O resto é história.

“Sônia ouviu Antonio cantar e ficou encantada. (…) A cantora elogiou-lhe a voz, mas fez algumas restrições ao seu modo de interpretar. Em seguida, ela se ofereceu para ensaiá-lo. Antonio Gonçalves, não é sonoro. – Pensou um pouco: – Seu nome, agora, vai ser Nelson Gonçalves, certo?”. Trecho do livro “Os reis da voz”, de Ronaldo Conde Aguiar.

Sônia Carvalho na capa da revista Carioca, em 22 de agosto de 1936

POR AMOR

Sônia Carvalho fez parte do elenco que introduziu a música brasileira na Rádio Nacional em 1936. No elenco da Nacional,ouviam-se as vozes de Orlando Silva, Elisinha Coelho, Araci de Almeida e outras gargantas de ouro. Por amor, Sônia Carvalho abandonou a carreira no auge e viveu até seus últimos dias em Taubaté.