Renato Teixeira iniciou sua carreira artística em 1967. Nesse mesmo ano, sua música “Dadá Maria” estava no festival da Record, defendida por Gal Costa. Em 1968, Roberto Carlos grava a música “Madrasta” (parceria de Renato Teixeira com Beto Ruschel).

Nos anos 70, período em que trabalhava como publicitário e criava jingles, Renato mergulhou na cultura caipira e compôs Romaria. Com a composição, pretendia mostrar que a cultura caipira “não estava esgotada e superada como diziam os formadores de opinião”.

No show “Transversal do Tempo” (1978), Elis surgia sobre o palco travestida de Nossa Senhora para cantar “Romaria”. Ousadia em plena ditadura.

Para os fiéis

 “Minha música Romaria não é um hino de louvor à Padroeira do Brasil. Minha canção é uma visão de quem está para cá dos altares, no meio dos fiéis que a saúdam”, relata o Renato.

Na voz de Elis

Romaria estourou nas rádios em 1977, interpretada por Elis Regina. Na voz da mais prestigiada cantora brasileira de todos os tempos, Romaria virou um clássico.

“Além de ser a canção que lhe tocara fundo desde que a ouviu de Renato pela primeira vez, era também a preferida do pequeno Pedro (Mariano), que pedia mil vezes ao dia para ouvir a ‘música da pirapora'”. Trecho da biografia “Elis Regina – Nada será como antes”, de Julio Maria.

 

O caipira pira

Listada entre as 10 músicas mais executadas de 1977, Romaria ajudou a alavancar as vendas do disco “Elis”, que não foi bem recebido pela crítica. O sucesso da música viabilizou a carreira de Renato Teixeira como compositor e intérprete. Mas o maior presente que Elis proporcionou ao cantor de Taubaté foi a perenidade da canção, consagrada nacionalmente.

“Nas conversas familiares dos Teixeira de Oliveira consta que a casa do Roberto [irmão de Renato] está com as paredes todas levantadas às custas de Romaria esperando que eu grave uma outra canção para botar o telhado.  Eu não consigo olhar o Renato sem rir dessa história.” Assista no vídeo abaixo esta e outras declarações de Elis Regina sobre Romaria, na última entrevista concedida pela cantora à TV Cultura, em 5/1/1982, 14 dias antes da sua morte.

Romaria aposentada

Romaria teve lugar garantido no show de Elis, até que uma fã com um santinho de Nossa Senhora Aparecida abordou a cantora pedindo um autógrafo como estivesse pedindo uma benção. Segundo conta o jornalista Julio Maria, na biografia de Elis Regina – Nada será como antes, ela “se apavorou com a cena, desconversou e saiu sem assinar o papel. Assim que viu Renato pela primeira vez, contou o episódio e fez um desabafo:

“ – Desculpe, Renato, mas eu não vou mais cantar sua música. Ela não pode ficar maior do que eu”.

Elis pela última vez

Na última entrevista concedida por uma bem-humorada Elis Regina, Renato Teixeira apareceu em vídeo para dar um recado à  amiga.

“Queria dizer publicamente da minha gratidão e da minha estima por você por ter gravado e ter feito de Romaria um sucesso. Eu estava precisando naquela hora…”.

“Acho que não fiz absolutamente favor algum. É aquela velha história: a gente dá o tiro, quem mata é Deus, cara. Se a música chegou aí, tocou e o pessoal até cantou junto, repetiu é por que alguma coisa tinha para que houvesse essa reflexão e essa cantoria em grupo.” Elis Regina

Elis Regina morreu em 19 de janeiro de 1982, duas semanas após conceder essa entrevista, veiculada pela TV Cultura.

460+

Até 2007, Romaria havia sido regravada 460 vezes, segundo a revista Veja.

“Romaria com a Elis ajudou a quebrar o preconceito contra a música caipira. Porque era ela falando a palavra caipira, até então falar caipira era para xingar”, acredita Renato Teixeira.