Presença de Anita

Na cidade do México, em meio aos documentos que integram o acervo do Museu Frida Kahlo, a pesquisadora Marisa Lajolo encontrou um exemplar de Geografia de Dona Benta de Monteiro Lobato. O volume tem uma dedicatória, do punho do próprio autor: “para Anita a minha grande fé. Monteiro Lobato.”

O livro de Lobato na estante de Frida surpreendeu Lajolo. Quem seria a Anita da dedicatória?  Pesquisadora renomada, Marisa Lajolo sabia que resposta poderia revelar uma história surpreendente.

Árvore da vida

Anita Antunes era neta do professor Antonio Quirino de Sousa e Castro, o Dr. Quirino. Era filha de Maria Ernestina Natividade e prima em segundo grau de Maria Pureza de Castro Natividade, a Purezinha, esposa do escritor Monteiro Lobato.

 

Dos Hamburgueres aos tacos

Anita Antunes viveu muitos anos nos Estados Unidos e posteriormente radicou-se no México, quando se tornou amiga e modelo de Diego Rivera – que era casado com Frida Kahlo.

Arthur Coelho, jornalista brasileiro radicado nos Estados Unidos, enviou uma carta a Jurandir Campos, genro de Monteiro Lobato, dando o paradeiro de Anita em 1946. “Anita ainda está no México, sendo repintada pelo Rivera. Levará uma fortuna em quadros do “master”. Um nu, de que vi cópia a cores, num postal, é estupendo!”

 

Diego em baixa

Em 1949 Anita voltou a Taubaté trazendo na bagagem uma coleção de desenhos e óleos presenteados por Diego Rivera, que foram expostas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1951, mas ninguém deu muita atenção à mostra e nenhuma peça foi vendida. Anita mandou encaixotar os trabalhos e os guardou em Taubaté.  Logo depois, veio a falecer. Diego Rivera morreu em 1957.

Anita mexicana

Juana Inés de La Cruz, ou, simplesmente, Soror Juana, foi uma freira do século 17 que se tornou ícone cultural e histórico no México e uma das personagens históricas eternizadas num dos murais mais emblemáticos de Diego Rivera, “Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central”. A peça retrata, em síntese, a história da civilização mexicana seguindo uma ordem cronológica em um mural de 65 metros quadrados. Segundo Ricardo Pérez Escamilla, reconhecido especialista em arte mexicana, no mural de Rivera, Juana Inés de la Cruz é representada pela taubateana Anita Antunes e Jane Elizabete, filha de Anita, serviu de modelo para a menina que segura uma boneca. Mui amigo esse Diego.

 

Diego em Alta

Na década de 1960, a coleção foi redescoberta por Renato Lobato, neto de Monteiro Lobato e pelo pintor Clóvis Graciano.Com a anuência dos herdeiros de Anita, a coleção de Diego Rivera inaugurou, em 5 de março de 1964, a Galeria Atrium, uma das mais importantes para a história das artes plásticas em São Paulo. Vinte e seis dias depois, a exposição foi encerrada com todo o acervo vendido. O jornal O Estado de São Paulo, informava que a coleção de 94 trabalhos que ficaram encaixotados  por  15 anos em Taubaté foi avaliada em 50 milhões de cruzeiros.

 

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