Culpa de Lobato

Jeca Tatu, personagem do primeiro best seller brasileiro (Urupês), pagou o preço da fama. Saldado pela elite intelectual, a criação de Monteiro Lobato é acusada por pesquisadores de ser responsável por denegrir a imagem do homem da roça.

 

Jeca odiado

Entre os indignados com o Jeca estava o folclorista presbiteriano Cornélio Pires. Cornélio fazia sucesso na cidade explorando comercialmente a cultura caipira em todas as mídias existentes nas décadas de 1930, 40 e 50. Depois do sucesso do Jeca, seu trabalho passou a ser menosprezado pela crítica.

“A noção de que o caipira é feio vem do Jeca Tatu de Monteiro Lobato, muito diferentemente do personagem arguto e brilhante de Cornélio Pires, também caipira, o Joaquim Bentinho”. Cecílio Elias Netto no texto “Representações do Caipira”,2008.

 

Alô, caipirada!

O público da cidade adorava rir de caipiras estereotipados e lotava teatros que apresentassem o “tipo caipira”. Cornélio, que não rasgava dinheiro, entendeu o recado e entrou na onda.  A música sertaneja/caipira, setor mais lucrativo da atual indústria cultural brasileira, deve muito a essa decisão.

A 78 rpm

“Jorginho do Sertão” foi a primeira música caipira gravada no país. A canção, adaptada por Cornélio Pires e gravada pela dupla Caçula e Mariano, foi lançada pela gravadora Columbia em 1929.

 

“Jorginho do sertão

rapaizinho inteligente

numa carpa de café

enjeitou treis casamento”

trecho de Jorginho do Sertão

 

Fórmula de sucesso

Escrita em forma de romance, a música caipira narra feitos heróicos, momentos épicos e fatos corriqueiros do cotidiano. O cantar tipicamente anasalado é herança da fonética indígena. Já o entoar das vozes é uma tradição adquirida dos rituais religiosos.

 

Tempo é dinheiro

Antigamente,  uma moda de viola durava horas.  Foi para caber nos disco de 78 rotações que a música caipira passou a ter no máximo três minutos e meio.

 

Moda sertaneja

A moda de viola caipira recebeu o rótulo de música  sertaneja quando foi gravada em disco e comercializada.